Inflação acima do IPCA, retração de quase 6% nas vendas e alta sensibilidade à renda marcam o mercado de material escolar no Brasil
O volta às aulas de 2026 ocorre em um cenário mais restritivo para o consumo das famílias brasileiras e para o mercado de material escolar. Dados de um estudo realizado pelo IBEVAR (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo)Eu estaciono.Negócios da FIAmqueda projetada de 5,9% no volume de vendas em 2026,
O levantamento, que analisa o período de 2024 a 2026, aponta que o comportamento do consumidor reflete l, e não redução da necessidade. A pressão inflacionária, combinada à estagnação da renda, tem levado famílias a adotar estratégias defensivas na compra de materiais escolares.
Itens essenciais resistem, enquanto compras de maior valor são adiadas
O estudo revela uma clara mudança no padrão de consumo. Produtos essenciais e de menor valor unitário, como canetas, lápis e papel sulfite, apresentaram maior resiliência nas vendas. Em contrapartida, itens de maior desembolso, c
O movimento indica substituição por marcas mais baratas, reaproveitamento de materiais de anos anteriores e postergação de compras, especialmente
Uniforme escolar foge à regra e cresce quase 28% em 2026
Um ponto fora da curva no levantamento é o uniforme escolar, que apresentou crescimento de 27,9% em 2026. O avanço está associado à retomada plena das atividades presenciais e à obrigatoriedade do item, o que
Preços de material escolar sobem mais que o dobro do IPCA
No eixo dos preços, o cenário é ainda mais preocupante. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços de material escolar acumularam alto, poderiaIPCA aproximado no período (14,3%).
O descolamento indica pressões específicas de custo, como:
- aumento do preço do papel;
- custos logísticos elevados;
- dependência de insumos importados;
- impacto do câmbio.
Esse movimento reforça o caráter regressivo do gasto educacional, que
Norte e Nordeste concentram maior impacto sobre a renda
A análise regional mostra que o impacto da volta às aulas é mais severo onde a renda média é menor. Em estados do Norte, og35% e 40% da renda média mensalque25% .
Segundo o estudo, a cada aumento de 1% na renda média, a participação do gasto com material escolar recua 0,15%, evidente
Rede estadual concentra matrículas e amplia vulnerabilidade
Outro fator que agrava o cenário é o perfil das matrículas. Cerca de 80% dos estudantes estão na rede estadual, onde o gasto absoluto é menor, mas o impacto relativo sobre a renda familiar é significativamente maior.
Com menor margem de ajuste, essas famílias tornam-se mais sensíveis aos aumentos de preços e recorrem a estratégias como redução de volumes, troca de marcas e reutilização de materiais.
Setor precisa focar em acessibilidade e novas estratégias
Para Claudio Felisoni, pressione
“A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento”, afirma.
Segundo Felisoni, o cenário também evidencia desafios estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionaisque
Um retrato do consumo educacional no Brasil
A volta às aulas de 2026 expõe um retrato claro do consumo educacional no Brasil: demanda existe, mas o poder de compra não acompanha.
