Divisões geopolíticas, desinformação, riscos tecnológicos e clima extremo ampliam a pressão sobre líderes empresariais em 2026

As empresas globais entram em 2026 enfrentando um ambiente de negócios cada vez mais complexo, volátil e competitivo. Divisões geopolíticas mais profundas, conflitos armados, polarização social, desinformação e riscos tecnológicos estão no centro das preocupações das lideranças corporativas para os próximos anos.

Esse é o principal diagnóstico do Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, cujos insights foram comentados por executivos da Marsh e do Zurich Insurance Group, parceiros estratégicos do Fórum e membros de seu Conselho Consultivo de Riscos Globais.

Tensões geopolíticas e polarização social lideram os riscos imediatos

De acordo com o relatório, os cinco principais riscos globais imediatos em 2026 são:

  1. Tensões geoeconômicas;
  2. Conflitos armados entre Estados;
  3. Eventos climáticos extremos;
  4. Polarização social;
  5. Desinformação.

Na perspectiva de dois anos, a polarização social e a desinformação avançam ainda mais no ranking, ocupando a segunda e a terceira posição entre os riscos mais relevantes para governos e empresas.

Segundo Andrew George, presidente de Specialty na Marsh Risk, a fragmentação social está no centro das ameaças contemporâneas.

“As divisões cada vez mais profundas estão no centro dos riscos sociais que enfrentamos atualmente — da fragmentação social e desigualdade à deterioração da saúde e do bem-estar. Apesar da gravidade crescente desses riscos, muitos governos estão se afastando de estruturas criadas para lidar com desafios comuns”, afirma.

Para o executivo, a ausência de respostas coordenadas empurra sociedades inteiras para instabilidade social e aumento de conflitos, com impactos diretos sobre o ambiente de negócios.

Nova era de competição global se intensifica na próxima década

O relatório aponta o início de uma nova e acelerada era de competição global. No horizonte de 10 anos, 33 dos 34 riscos mapeados — com exceção das tensões geoeconômicas — devem aumentar em gravidade.

Segundo o levantamento:

  • 57% dos entrevistados esperam um cenário “turbulento” ou “tempestuoso” até 2036;
  • Riscos ambientais e tecnológicos dominam a perspectiva de longo prazo;
  • A combinação entre instabilidade climática, avanços tecnológicos e desigualdades sociais tende a ampliar a volatilidade econômica.

Saúde, previdência e proteção social preocupam líderes empresariais

Para Alison Martin, CEO de Life, Health and Bank Distribution da Zurich, os riscos sociais relacionados à saúde pública e previdência já afetam diretamente a força de trabalho global, embora ainda recebam pouca atenção nas projeções de longo prazo.

“Os líderes empresariais nas principais economias estão profundamente preocupados com previdência e saúde pública. Essas lacunas ameaçam tanto o bem-estar da força de trabalho quanto a estabilidade social”, afirma.

Segundo Martin, a subestimação desses riscos pode comprometer a produtividade, a coesão social e a capacidade de crescimento sustentável das economias.

IA e computação quântica ampliam riscos e desigualdades

O relatório destaca que os avanços em inteligência artificial e computação quântica terão impactos profundos sobre:

  • mercados de trabalho;
  • estruturas sociais;
  • infraestrutura crítica;
  • geopolítica global.

Essas tecnologias podem ampliar desigualdades econômicas, acelerar a automação de funções e provocar concentração de poder econômico, exigindo respostas coordenadas entre governos e empresas.

“À medida que automação e avanços quânticos se aceleram, governos e empresas devem trabalhar juntos para enfrentar desafios como redundância de funções, concentração econômica e possíveis interrupções sistêmicas”, reforça Andrew George.

Infraestrutura crítica surge como risco subestimado

Apesar de sua importância sistêmica, as interrupções na infraestrutura crítica aparecem apenas na 23ª posição entre os riscos globais para a próxima década — uma lacuna considerada alarmante pelos especialistas.

Segundo Peter Giger, diretor de riscos do Zurich Insurance Group, essa subavaliação pode ter consequências severas.

“De redes elétricas sobrecarregadas por calor recorde a cidades costeiras ameaçadas pelo aumento do nível do mar, dependemos de sistemas pouco preparados e subfinanciados. Quando a infraestrutura falha, todo o sistema fica vulnerável”, alerta.

A infraestrutura crítica enfrenta ameaças que vão desde cortes em cabos submarinos até falhas em satélites, exigindo investimentos urgentes em modernização e resiliência.

Resiliência e cooperação como estratégia central para 2026

O Relatório de Riscos Globais 2026 deixa claro que as empresas precisam ir além da gestão tradicional de riscos. O cenário exige:

  • visão sistêmica;
  • integração entre tecnologia, pessoas e governança;
  • cooperação entre setor público e privado;
  • investimentos consistentes em resiliência.

Para os líderes empresariais, a nova era de competição global não será definida apenas por inovação ou eficiência, mas pela capacidade de antecipar riscos interconectados e responder de forma coordenada.

By Tayliny Battistella

Historiadora e publicitária que esta se descobrindo nerd e gamer. Socio fundadora do Negócios Tech.

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